O valioso mercado nerd

A massificação da cultura nerd fez o mercado econômico olhar para essa nova força que tomava conta das ruas. A evolução transformou esse grupo na figura principal dessa nova era que o mundo está vivendo.

Ser taxado de “nerd” ou “geek” deixou de ser algo ruim e passou a ser um padrão cultural que muita gente gostou de seguir. Seriados de TV como The Big Bang Theory, Silicon Valley e outros, transformaram o nerd em algo legal.

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BAZINGA! A série que já tem quase dez anos de duração e está na décima temporada

Ao caminhar pelas ruas, facilmente encontramos alguém com alguma camisa, chaveiro, mochila, blusa, boné, enfim. Tudo o que se vê nas telas ou nas páginas pode ser transformado em produto.

Tibério Velasques, 35 anos, analista de sistemas. Representante legítimo de um nerdold school”, que cresceu no auge cultural dos anos 80 e até hoje não deixou os costumes que fizeram parte de sua vida. Sempre lembro de ter um boneco ou chaveiro ou alguma coisa desde que era criança e meus pais podiam me dar. Mas virei colecionador “profissional” mesmo depois que consegui me estabilizar financeiramente, já bem adulto. Aí a coleção cresceu exponencialmente.”

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Tibério e sua vasta coleção de Action Figures

Assim como ele, vários outros jovens daquela época seguiram o mesmo caminho. Mas viviam em um mundo bem diferente do atual. É isso que César Lima, engenheiro, 42 anos, conta. “ […] havia os meninos que gostavam de jogar futebol e os que ficavam discutindo a extensão dos poderes do Galactus, e essas turmas raramente se intersectavam como acontece hoje.”

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César ostenta o orgulho de ter a estante recheada

O engenheiro, também cresceu nos anos 80, e foi pela televisão e pelas HQs, que teve os primeiros com essa cultura, e ganhou credenciais para se intitular “nerd de coração.” “No início dos anos 80, quando os quadrinhos e a TV eram praticamente as únicas portas de acesso ao mundo das aventuras, ficção e fantasia. Nessa época, lembro que marcaram bastante a exibição de seriados na TV aberta como O Incrível Hulk, Mulher-Maravilha, Batman, além das séries de ficção científica como Jornada nas Estrelas.”

Hoje, eles cresceram e consomem cada vez mais produtos, além de repassar esse amor para as novas gerações. Mas antes de entrar nesse assunto, é preciso esclarecer duas coisas. O que são nerds e geeks, e por qual motivo boa parte deles passou pelos anos 80.

Anos 80 – Choque de Cultura

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Nessa década, houve a explosão artística de uma geração completamente diferente das anteriores. Vivendo em um país marcado pela ditadura militar, foi preciso buscar na cultura pop, uma alternativa de novos pensamentos que passou diretamente pelo teatro, cinema, música e literatura.

Nas fitas dentro dos walkmans, a trilha era formada por Michael Jackson, Madonna, David Bowie, Lionel Ritchie, além do apogeu do rock nacional com  RPM, Legião Urbana, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos e outros.

Nos cinemas, lendas começaram a surgir. Curtindo a Vida Adoidado (1986); Clube dos Cinco (1985); E.T – O Extraterrestre (1982); De Volta Para o Futuro (1985); Os Caça-Fantasmas (1984); Indiana Jones – Os Caçadores da Arca Perdida (1981); Karatê Kid (1984); O Exterminador do Futuro (1984); Blade Runner (1982) ; Star Wars: O Império Contra-Ataca (1980); Star Wars: O Retorno do Jedi (1983) ; Rambo (1982), e diversos outros clássicos que perduram até hoje.

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George Lucas, Harrison Ford e Steven Spielberg: O trio dos anos 80

Se adicionarmos os vídeo games à essa lista (Pac-Man; Super Mario Bros; Tetris; The Legend of Zelda), não é de se espantar a quantidade de nerds e geeks que foram moldados.

E isso nos leva para a segundo ponto. As definições de cada um deles. E isso você pode ler aqui. 

Agora entramos em uma nova era:

Quem manda agora é o nerd!

Tibério Velasques, um “nerd das antigas”, comemora essa evolução. Hoje está tudo muito mais acessível. Todo mundo conhece o Homem de Ferro ou, pasmem, o Homem Formiga! São mais pessoas pra falar do assunto, interessadas, consumindo consequentemente mais quadrinhos nas lojas, mais bonecos, chaveiros. Cara, estamos em um ótimo momento.”

E um dos motivos para esse boom comercial, passa diretamente pela facilidade que a internet proporcionou. Uma pesquisa encomendada pelo portal Omelete (referência em cultura pop no Brasil), apontou que esse público passa cerca de 84 horas por mês na internet, enquanto a média do brasileiro é de 60 horas. Além disso, 7% dos entrevistados revelaram fazer compras pela internet frequentemente, 24% o fazem algumas vezes por ano e apenas 10% utilizam o e-commerce raramente.

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Ainda segundo o analista de sistemas, a facilidade de compra dos produtos, também levantou outra questão. Às vezes, o preço de um colecionável pode não ser tão em conta assim. Eles podem custar de R$ 100,00 a até R$ 2.800,00. Mas para ele, até que compensa. Normalmente a crítica vem relacionada ao custo que um colecionável possui. Todo mundo acha maneiríssimo, mas acaba criticando o valor pago. Não tem jeito, o fã de futebol vai pagar caro numa camisa de um time europeu e eu vou pagar caro um colecionável de um filme que sou fã. No fundo, todo mundo acha bacana… Talvez não minha esposa que tem que perder espaços da casa para ‘isso’

Para manter as paixões, às vezes é preciso conciliar o hobby com o trabalho formal. É o caso de Helvecio Parente (ou Helvis, como gosta de ser chamado). Na hora de falar a profissão, faz questão de se apresentar como: comerciante, músico, cineasta, crítico de cinema e podcaster. “Sempre acompanhei tudo o que passava no cinema. E eram menos filmes, então, lá pro meio dos anos 80, eu via TODOS os filmes. Além de cinema, vivi intensamente o rock nacional dos anos 80.”

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Não importa o momento, Helvis não abandona o estilo Jedi

Diferentemente do Tibério, que se intitula um “nerd”, o carioca de 46 anos, ressalta que nunca se considerou de fato um. “Acho que ainda não existia o termo ´nerd´. E nunca fui um nerd de verdade, afinal, nunca joguei rpg nem li quadrinhos de super heróis, e só fui ter computador em casa no fim dos anos 90. Sobre cultura cinematográfica, sempre li tudo o que tinha oportunidade. Lia as revistas Set, Fotogramas e Vídeo, Cinemin, e comprava guias de filmes do Rubens Ewald Filho.”

Helvis, já foi proprietário de video locadora. E nesse período, aumentou muito a coleção de filmes. O acervo foi crescendo tanto, que hoje, ele nem para contar. “É besteira contar, porque não é uma coleção finita – bons filmes continuam sendo feitos e sendo lançados. A coleção continua crescendo…”

Segundo ele, o seu emprego atual permite que ele tenha uma agenda flexível e consiga realizar seus hobbyes: ter uma banda, escrever críticas de cinema, dirigir curta-metragens e juntamente com o Tibério e mais um grupo de amigos, fazer parte dos Podcrastinadores (podcast voltado para livros, filmes e séries de TV).

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Os PodCrastinadores são especialistas em todo universo da cultura nerd. Basta acessar o site deles e colocar os fones de ouvido para embarcar nesse bate-papo

Mas se para ele é preciso conciliar as duas coisas, para o nosso próximo personagem, a história é bem diferente. Enquanto a apresentação do Helvis é extensa, a de Henrique Granado, é no mínimo curiosa. CEO e Jedi Master. O empresário de 38 anos, decidiu viver daquilo que amava.

A ideia de empreendimento, era pioneira no Brasil, mas levou um certo tempo até começar a atuar no mercado. “Em 2005 eu decidi que gostaria de dedicar minha carreira à cultura nerd e comecei um projeto de uma camiseteria que oferecesse produtos para este nicho. Naquela época, não existia no Brasil nenhuma marca que investisse nesse tipo de estampa com a qualidade que encontramos em outras marcas de peso. Infelizmente só pude colocar o projeto em prática em 2013, quando o mercado já havia enxergado essa oportunidade, então não naveguei no oceano azul que gostaria, mas certamente houve uma ótima receptividade do público, ainda assim.”

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Henrique Granado: O empreendedor pop

Um outro caminho trilhado por Granado, foi a organização de grandes eventos de cultura pop. Entretanto, o objetivo era que eles não ficassem somente para um público específico. Um deles, é a Jedicon. Hoje, considerado o maior evento de Star Wars do Brasil. “A Jedicon nasceu em 1999, período em que este tipo de evento ainda não era devidamente valorizado. Com o passar dos anos o evento foi ganhando credibilidade e respeito, o que me deixa sim, extremamente realizado. No caso específico da Jedicon, que é um evento não-comercial, sem fins lucrativos e totalmente feito por fãs, é uma realização ainda maior, por saber que não ficamos atrás de eventos onde há muito mais investimento.”

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Jedicon 2017, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 8 e 9 de julho

Além da Jedicon, o Brasil começou a receber grandes eventos desse estilo no decorrer dos anos. O principal deles, foi a Comic Con Experience (CCXP). O tradicional e cultuado evento de cultura nerd, que é realizado todos os anos em San Diego, EUA, ganhou uma edição no país. Isso representou que definitivamente, esse mercado estava mais em alta do que nunca. Já foram quatro edições desde 2014. E a de 2016, foi considerada a terceira maior do mundo em público. Foram mais de 300 mil pessoas, somando todas as edições.

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A CCXP vem atraindo cada vez mais apaixonados pela cultura pop.

O evento chegou até o país pelo portal Omelete, que surgiu em 2000, tomou corpo e força, e hoje desponta como uma das principais referências da área. Pierre Mantovani, em entrevista para a revista VIP, contou o que representou essa conquista. “Pensei: Temos um evento dando dinheiro? Não. Vamos montar. Foi quando os sócios me levaram para conhecer a Comic Con de San Diego – e eu entendi a grandeza do evento […] A CCXP é a experiência máxima da cultura pop” afirmou o CEO do portal em entrevista para a revista. (Para ver a matéria completa, clique aqui

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Omelete, CCXP e sucesso: Pierre Mantovani

Futuro

Os dados comprovam, essa cultura já se enraizou, e talvez, demore para sair de moda. O que para todos os personagens envolvidos nisso, é algo excelente. Para eles, quanto mais pessoas nessa força, melhor.

Acho que sempre haverá a necessidade de que as pessoas possam se expressar de acordo com seus gostos e preferências. Por isso, acho ótimo que hoje haja tantas opções para o público nerd/geek. Usar uma camiseta que te representa, decorar sua casa com os itens que se identifica ou ter acesso a uma gama quase infinita de filmes e séries que agradam a esse gosto é certamente um sinal de que o nerd deixou de ser um pequeno nicho e passou a ser enxergado como consumidor.” Henrique Granado. Nerd, consumidor e empreendedor.

Pois então: Vida longa e próspera à cultura nerd!

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Blade Runner 2049: A perfeição das escolhas certas

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Quando uma obra clássica, cult, cheia de fãs, teorias e histórias ganha uma sequência, é difícil controlar a insegurança pelo que está por vir. O medo de estragarem nossas lembranças emocionais fica evidente a cada trailer ou anuncio do filme. Entretanto, em Blade Runner 2049, Denis Villeneuve nos mostra que nas mãos certas, uma obra pode ganhar uma continuação tão boa ou até melhor do que a original. (Sim, George Lucas, eu estou falando de você).

Blade Runner foi lançado originalmente em 1982, mas por uma série de problemas na produção e distribuição, a versão definitiva só foi finalizada em 2007. O grande Ridley Scott (Alien; Perdido em Marte; Gladiador;), sempre perfeito na criação de mundos, entregou uma Los Angeles caótica e destruída situada em 2019. Grande parte da população da terra, vive agora em colônias em outros planetas.

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O visual futurístico-noir-cyberpunk, foi extremamente revolucionário para a época. Muitos filmes, como por exemplo Matrix, beberam desse visual, fotografia e cenário. Harrisson Ford, extremamente em alta devido sua magnífica interpretação como Han Solo, interpreta aqui o policial Rick Deckard. Sua missão é matar alguns replicantes que fugiram dessas colônias e voltam para a terra com o objetivo de encontrar seu criador e aumentar o limite de suas vidas.

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A grande premissa existencialista da obra, é nos levar a reflexão sobre o que de fato compõe um ser humano. Emoções? Dores? Memórias? Enfim, cada personagem carrega consigo uma história e um dilema. E são essas indagações que tornam Blade Runner tão cultuado e amada pelos cinéfilos de plantão. Como esquecer do monólogo final, feito no improviso pelo ator Rutger Hauer, que interpreta Roy Batty, líder dos replicantes.

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Muitos críticos o consideram como a segunda maior ficção científica de todos os tempos, ficando atrás apenas de 2001: Uma Odisseia no Espaço.

E por falar em 2001, a masterpiece de Stanley Kubrick, somos levados para o diretor do novo longa. Denis Villeneuve, é considerado por muitos como o “Novo Kubrick”, afinal, esse queridão não tem filme ruim! Repito! ELE NÃO TEM FILME RUIM! Alguns dos seus clássicos instantâneos são: A Chegada; Sicário; Incêndios; Os Suspeitos; Homem Duplicado… e por aí vai. Tudo isso aos 50 anos!

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Aqui, ele sabe muito bem como pegar o universo consolidado de Ridley e colocar a própria personalidade. Com o auxílio da evolução do CGI e tecnologia, temos uma Los Angeles ainda mais caótica. Mas isso se estende para outros cenários e cidades. A Las Vegas empoeirada e apocalíptica é um prato cheio para quem ama fotografia.

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Ele tem tanta moral, que consegue mexer na história e preservar o que já foi pré-estabelecido. Por exemplo, no começo do filme, com algumas frases, ele já explica o que aconteceu nos últimos 30 anos com o mundo. Simples e prático. Agora é a hora de contar a história dele.

Se você não assistiu ao primeiro, é bom que assista, pois você conseguirá entender o que se passa… mas a mesma sensação não vai ser a mesma. O filme vai deixando uma série de easter eggs para o fã se deliciar (quase pulei quando vi o antigo parceiro do Deckard fazendo aquele origami).

A trilha sonora está muito boa. Muito por ser bem parecida com a trilha de 82. Ver no cinema aumenta a tensão nos momentos necessários, e consegue criar uma atmosfera parecida com a que os personagens estão vivendo.

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Um dos maiores plots do primeiro filme, é a dúvida que fica se o Deckard é replicante ou não. Aqui, eles simplesmente jogam isso. Nem deixam o espectador preparado ou avisam antes. Ele simplesmente é um replicante e você precisa aceitar isso! Tem moral ou não tem o Denizinho?

****SPOILER****

Os personagens cumprem bem o seu papel. Por vezes, as motivações ou o argumento da história é melhor do que o desenvolvimento deles em si. Ryan Gosling, o ator que não muda a expressão, mas mesmo assim consegue ser bom, não vai ser lembrado eternamente por esse personagem. Ele se compromete bem com o proposto e consegue dar as nuances certas nos momentos necessários. Jared Leto entrega um bom bilionário megalomaníaco, entretanto, o roteiro poderia tê-lo utilizado mais. O desenvolvimento na história poderia ter sido mais enfático. Quem sabe não fica para uma continuação?

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Robin Wright está virando o novo Sean Bean de Hollywood (entendedores…); Harrison Ford volta a um dos papéis que consagraram sua carreira e novamente cheio de assuntos mal resolvidos (é isso que eu posso dizer sem entregar spoilers); quanto as atuações de  Ana de Armas e Sylvia Hoeks, não tem muito para se falar. Ambas estão ok. Muitas vezes servindo apenas de trampolim para a história.

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Em suma: Blade Runner é a prova de que quando bem feito, os reboots e continuações serão sempre bem-vindos. Ele não cai na maldição das sequências, e consegue ser original, nos fazer refletir novamente sobre o que é um ser humano e preservar as lembranças afetivas que rondam as grandes obras.

Nota: 8.0/8.0

 

Rei Leão: Nosso lugar no ciclo da vida!

*Texto escrito ao som de Ciclo sem Fim*

 

No primeiro frame de Rei Leão, não temos apenas o sol nascendo na savana africana com os animais indo até a pedra do rei para saudar o futuro herdeiro de todo “reino que o sol pode tocar”. Ali, presenciamos o nascimento de uma das maiores animações de todos os tempos! Nem pense em dizer que eu não devo generalizar. Rei Leão sempre será um dos melhores filmes já feitos pela humanidade.

 

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(Como vocês podem perceber, esse texto é escrito por um grande fã)

 

E eu não digo isso apenas pelas notas altíssimas no IMDB ou Rotten Tomatoes. Não digo isso apenas pelos prêmios (duas estatuetas do Oscar, Globo de Ouro, BAFTA e inclusive um Grammy para o grande Elton John), muito menos por ter sido a primeira história original que a Disney transformou em filme.

 

Quer mais?

 

Foram necessários 20 anos para que outro filme da Disney ultrapassasse Rei Leão em termos de bilheteria. Frozen – Uma Aventura Congelante conseguiu ultrapassar a barreira de US$ 1 bilhão em arrecadação no mundo! Os nossos Hakunas Matatas ficam com a segunda posição com “somente” US$ 987,4 milhões. Na história, ele ocupa a terceira posição nas maiores bilheterias de animação.

 

Alguém aí falou em bom elenco?

 

Cuidado com o peso da lista: Matthew Broderick; James Earl Jones; Jeremy Irons; Whoopi Goldberg; Nathan Lane; Rowan Atkinson… ufa!

 

E o Ciclo sem fim das músicas que não saem da cabeça?

 

Se você tem Spotify, vou deixar um link para você se deliciar com essa trilha sensacional!

 

Também pudera, nas mãos de Hanz Zimmer, tudo vira clássico! Somando isso à união da voz de Elton John, não fica difícil aceitar o Oscar de melhor trilha sonora que ele carrega.

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Além disso, as recorrentes referências africanas contribuem para tornar tudo mais rico e natural. É como se estivéssemos na savana.

 

O espetáculo fotográfico que conta a história

 

Um bom filme não é apenas aquele com uma história impecável. Quando a obra é bem-feita e planejada, todos os elementos cinematográficos estão ali por algum motivo. É assim em Rei Leão.

 

A fotografia empregada nos momentos certos, auxiliam a criar uma atmosfera de medo, alegria ou tristeza.

 

No início, temos muita luz, pois é um momento de apresentação da história. O público precisa se sentir bem. Por vezes, a câmera é rápida, dando a entender que logo aquilo irá passar.

 

Quando temos Scar, o vilão em cena, a câmera já fica lenta, nos mostrando como ele está sendo meticuloso na elaboração dos planos. Além disso, a cor não é mais tão viva. Um tom laranja toma conta da tela. Claramente, o reino de Scar é muito diferente de Mufasa.

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Já no meio, quando temos o “more iconic trio”, Timão, Pumba e Simba, aquela cor e alegria iniciais voltam. E permanecem no final. Agora sim a felicidade vai durar mais tempo.

 

Vamos ao filme!

 

“O passado pode doer. ”

 

É, e dói! Rei Leão é um daqueles filmes para você chorar, sorrir, chorar, refletir, rir muito mais e encorajar (enquanto você chora e ri).

 

A história é baseada na tragédia de Simba, que vê o pai morrer e foge com medo de enfrentar o mundo. Mas isso acontece após seu tio, Scar, colocar em prática o plano de acabar com o reinado do irmão, Mufasa.

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(A sequência do estouro da manada de gnus, que dura cerca de três minutos, demorou dois anos para ser concluída, com o uso de imagens geradas por computador.)

 

Vemos ali como o ódio e a busca incessante pelo poder pode destruir tudo! (Parecido com certas pessoas que conhecemos). A inveja que consome Scar, afeta a vida de todos os animais da savana. O bem de todos é sufocado nas vontades excêntricas de um líder tirano e ditador, que se baseia na violência para conquistar o que quer.

 

Entretanto, podemos dizer que há males que vem para o bem.

 

Após a fuga desesperada, Simba é encontrado pela dupla nada convencional Timão e Pumba. A partir daquele momento, uma linda amizade nasce. Um suricato, um javali e um leão, vivem sem problemas, comendo insetos e morando no lugar que quiserem. A vida de Hakuna Matata parece ser feita…, mas então aprendemos que quando temos uma responsabilidade, precisamos cumpri-la.

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Simba se reencontra com Nala, sua melhor amiga de infância. O espanto é inevitável, afinal, todos do reino pensaram que Simba também estivesse morto. O amor então chega para novo casal.

 

Mas o herdeiro precisa voltar para recuperar seu lugar. Assombrado pelo fantasma de uma culpa que não é dele, Simba sente medo… e então, somos agraciados com uma das cenas mais emocionantes e reflexivas da história.

 

“Remember who you are! ”

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“Olhe para dentro de você. Você é muito mais do que pensa que é! ” Simba sabe que é o verdadeiro rei, mas com Mufasa aparecendo para ele, sua coragem retorna. É hora de ocupar seu lugar no ciclo da vida!

 

“O passado pode doer. Mas você pode fugir ou aprender com ele. ”

 

Ao retornar e encontrar todo o seu reino destruído, Scar fazendo seu povo sofrer e tudo fora de controle. Simba enfrenta Mufasa. Derrota o falso rei e assume, por direito, seu lugar no ciclo. O rugido no final, significa que o bem venceu, através da dor, mas mantendo a fé e o amor. Todos agora encontram seu caminho… nesse ciclo sem fim!

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Em suma: Rei Leão nos ensina sobre amizade, diferenças de classes sociais, dor, redenção e também que tiranos e ditadores podem até conseguir o que querem… mas momentaneamente. Nos resta esperar o próximo Simba!

 

Nota: 8.0/8,0

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Questão de Tempo: o amor sem clichês

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Vamos ser diretos: Ao falar em comédias românticas, automaticamente pensamos em Sandra Bullock, Patrick Dempsey, Mark Ruffalo ou Hugh Grant. Os atores bonitos, as histórias clichês e os finais esperados, mas que mesmo assim, despertam as mais diversas sensações em quem assiste.

 
Não vamos entrar no mérito da qualidade dessas obras (que claramente devem ser questionadas), mas vamos falar da alegria ao assistirmos algo diferente. Não pense que vou falar sobre Woody Allen e sua genialidade ao abordar relacionamentos, como em Annie Hall. Vou falar aqui sobre algo muito mais simples, se assim puder ser definido.
E encontramos esse ponto fora da curva, no filme Questão de Tempo (About Time, 2013).

 

O longa é do diretor que já pode ser considerado um membro honorário da Sessão da Tarde, por ter feito parte dos bons: O Diário de Bridget Jones e Um Lugar Chamado Notting Hill. Como você pode ter percebido, as obras não são americanas, e sim britânicas. Mais motivos ainda para ser diferente.

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Vamos ao filme
Em uma comédia romântica, geralmente esperamos a seguinte linha cronológica: O casal se conhece e não se gosta; com o tempo vem a aproximação; se apaixonam; ficam juntos-algo os separa-o conflito é resolvido-eles ficam juntos.
Em Questão de Tempo, não temos nada disso. O casal se apaixona imediatamente e ficamos torcendo para que tudo entre eles dê certo… e para a nossa alegria, eles dão! A partir dali vemos fofura atrás de fofura. ❤

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Isso nos leva para o segundo ponto desse filme: Ele não se resume ao amor do casal, mas sim, ao amor entre as pessoas! A relação de Tim com o pai é talvez a mais bonita de toda a história. Isso começa na revelação de um dos pontos mais legais e curiosos do filme. Todos os homens daquela família podem viajar no tempo quando completam 21 anos. Isso mesmo, viajar no tempo! (Meu senso nerd e devoltaprofuturalesco já apitou e me deixou ainda mais fascinado pelo que estava acontecendo).

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Além da relação pai-filho, há também todo o carinho com o restante da família. Voltando a compará-lo com outras comédias românticas, é possível perceber logo de início que os demais personagens não estão ali apenas como plano de fundo narrativo. Cada um tem seu papel para o desenvolvimento da história… e isso é muito bem trabalhado.
O que aprendemos?
Tim, usa seus poderes para conquistar a apaixonante e maior fã de Kate Moss do mundo, Mary. Mas ok, agora você pensa: “viajando no tempo é fácil! ”, pode parar aí, amiguinho! A viagem no tempo é só um pretexto para vermos que as oportunidades para encontrar o grande amor de nossas vidas aparecem… mas se deixarmos ela escapar, pode ser que não tenha mais nada a se fazer (é, eu deveria seguir esse ensinamento).

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Nas relações familiares, apreciamos o mais puro e sincero amor entre cada um dos membros. Quem não amaria tem uma relação tão fofa quanto a que o Tim tem com a irmão Kit Kat.

***ALERTA DE SPOILER***

O ponto que mais chamou a minha atenção, foram as cenas da morte do patriarca da família. Não foi necessário mostrar um corpo ou pessoas chorando desesperadamente. A suavidade e delicadeza do momento, foram suficientes para ensinar a seguir em frente… atendendo a todas as necessidades do passado.

***FIM DOS SPOILERS***

Em suma: Questão de Tempo não é o melhor filme do universo, muito menos um dos mais memoráveis de seu tempo. entretanto, ele nos mostra que é possível acreditar que um amor pode ser perfeito… mas não significa que ele não terá problemas.

Nota: 6.9

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Nerds VS Geeks

Quem aí é nerd? Quem aí é geek? Quem são as duas coisas? Você não sabe o que é um? Não sabe o que é outro? Então se acalme aí! Sente na sua melhor cadeira giratória ou talvez embarque na sua nave. Pois caro leitor, vamos viajar para uma galáxia conhecida e ao mesmo tempo inexplorada. E como diria um velho amigo de ambas as classes “vocês estão prontas crianças?” Para explorar lugares fascinantes, onde nenhum homem jamais esteve.

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Diário interplanetário 1 – Capitão, qual a diferença entre um e outro?

Então vamos lá tripulação!

Para um observador distante e que não tem muito conhecimento da área, a diferença pode até não existir. “Todos fracos e perdedores” – diria o fortão; “Ele gosta daqueles bichinhos feios” – diria a mãe.

Bom, na pratica pode parecer que nenhuma. Mas etimologicamente os termos são distintos. O termo geek, vem da palavra de origem alemã “geck” que significa “bobo”. Enquanto nerd, surge na década de 60 proveniente da palavra “nert” que significa “louco” (supernormal até ai)

Vamos as principais diferenças:

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Nerd – O estigma já diz: Muitas vezes, o nerd é o CDF da sala (mais termos? Sim!). É o cara que geralmente senta nas primeiras carteiras, o que mais estuda, sempre tira as melhores notas, tem uma dificuldade do tamanho de uma estrela da morte (eles vão entender) para fazer amizades, e claro, os relacionamentos amorosos… bom, vamos pular essa parte.

Brincadeiras à parte, duas outras frases famosas envolvem os nossos amados nerds: “O nerd de hoje, é o cara rico de amanhã”; “O cara que hoje você chama de nerd, amanhã você vai chamar de chefe”. E realmente a maioria deles conseguem um bom futuro trabalhando em áreas cientificas ou se tornam inventores, engenheiros… ou quem sabe, o dono daquela antiga loja de quadrinhos do seu bairro com aquele copo de café, daquela famosa cafeteria.

Entre suas preferências musicais e cinematográficas, está o bom e velho rock n´roll como Queen, Rolling Stones, Led Zepellin, The Beatles, Pink Floyd, sem falar do Folk, Indie e algumas outras músicas e bandas que você provavelmente não vai ouvir por aí (e é disso que eles se orgulham). Já no universo cinematográfico está Senhor dos Anéis, Harry Potter, Star Wars, Star Trek, De Volta para o Futuro, Matrix e mais e mais clássicos da sétima arte.

Geek – Já o geek, muitas vezes não é o mais inteligente e introvertido da sala. Mas pode ter certeza que ele entende muito mais de tecnologia do que você!

Eles são atraídos por qualquer novidade, principalmente na área de tecnologia. Se você for namorar um deles, é melhor entender desde já que ele pode facilmente não sair com você, para assistir a conferência de lançamento de um novo smartphone. Como você pôde perceber, o geek não tem tanta dificuldade para se relacionar, porém, muitas vezes ele pode se tornar o cara pretensioso e que se sente mais inteligente que os demais. Read More

Onde foi parar nosso futebol?

O futebol, principal esporte do Brasil, amado por muitos, passado de geração em geração, vive uma das fases mais críticas de sua história, após o vexame histórico de nossa seleção na Copa de 2014, perdendo para a equipe alemã por 7×1, uma dúvida paira sobre a cabeça dos amantes desse esporte, as discussões acontecem nos mais diversos lugares, desde bares entre amigos, até especialistas em canais de televisão. E as perguntas mais feitas são: O que aconteceu com o futebol penta campeão mundial? Será que o talento, uma das principais características brasileiras acabou?
Após 2006, a seleção passou por uma escassez de grandes craques, o que pode ser notado principalmente por torcedores mais antigos, que puderam ver seleções com nomes como: Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Kaká, Ronaldinho, Adriano, muitas vezes jogando juntos. Mas mesmo com toda essa genialidade reunida, o Brasil não conseguiu vencer a França na copa de 2006, time que contava ainda com Juninho Pernambucano, Robinho, Zé Roberto entre outros craques. E após essa geração, o Brasil não produziu peças suficientes para suprir esses craques, tanto que hoje, o único jogador acima da média na seleção é Neymar.
Mas o que aconteceu? Talvez a falta de experiência dos jogadores possa ser uma explicação, eles saem do país cada dia mais novos, atraídos por propostas milionárias de fora do país, alguns sem muita tradição no futebol, como Ucrânia, Emirados Árabes, Japão, China e outros mais. Saem com muita esperança de terem uma grande carreira, mas acabam ficando esquecidos, e vão para a seleção sem ter experiência em grandes jogos e competições. Resultando em participações pífias e sem brilho.
Uma solução plausível, seria repetir as práticas adotadas pelos nossos carrascos na copa, os alemães investiram pesado nas bases, e fazem com que os garotos não abandonem seu país, e sigam todo o ciclo, de ídolos dos clubes nacionais, a grandes ídolos de suas seleções. É necessário resgatar a identidade de nosso futebol, para que os próximos torcedores, possam ver o Brasil voltar ao lugar onde todos se acostumaram a vê-lo, no topo do mundo.

Eles ainda possuem a força!

Os reboots estão em alta em Hollywood, isso já ficou claro. Porém o reboot mais aguardado por muitos anos, está prestes a ser lançado. Em dezembro, os fãs de Star Wars voltarão a sorrir. Após dez anos de espera finalmente chegará aos cinemas “Star Wars: O despertar da força”. Deixando uma legião de fãs extasiados a cada noticia, foto ou trailer da nova produção.

A febre e a paixão por Star Wars, é algo que não possui explicação. Nasce com o lançamento do primeiro filme em 1977 e continua cada vez mais forte após outros cinco filmes. A franquia toda, totalizando as bilheterias dos seis filmes, lucrou 4,41 bilhões de dólares, se tornando a quarta série cinematográfica com maior bilheteria de todos os tempos.

Toda uma mística foi criada para suas histórias. Fãs atravessam gerações, e nunca deixam essa paixão acabar. É muito comum ver pais com seus filhos pequenos e caracterizados de algum personagem do filme. Produtos da série, sempre vendem aos montes: camisetas, canecas, brinquedos tornam a paixão lucrativa. Personagens como Darth Vader, Luke Skywalker, Chewbacca, Princesa Lea, Han Solo, R2-D2, C3-PO são conhecidos até por quem não é fã da série, pois já estão fixados na cultura pop.

George Lucas, criador da série, conta que se inspirou em histórias de velho oeste, no seriado de tv Flash Gordon, e usou também bases históricas, inspirando as formações de exércitos do filme baseando-se no feudalismo. Uma cena de luta durante um dos filmes foi baseada em combates da Segunda Guerra Mundial.

Os fãs de Star Wars sempre realizam convenções por todo o mundo, e fazem um verdadeiro tributo as produções, caracterizados fielmente aos personagens, são alvos de críticas, mas não se importam e continuam sua paixão. Celebram também o dia internacional de Star Wars, sob a o trocadilho em inglês “May the 4th be with you” (Que a força esteja com você), a frase característica do filme, fazem do dia quatro de maio, a celebração mundial de uma das maiores produções do cinema.